

FIG.1 – DATAÇÃO DA RECONSTRUÇÃO

FIG.2 – HIERARQUIA DOS EIXOS VIÁRIOS

FIG. 3 – EXEMPLO DE CONSTRUÇÃO EM GAIOLA
O PLANO:
a) SITUAÇÃO ACTUAL:
- 1067 Edifícios;
- 5.000 Habitantes;
b) PROPOSTA:
- Orçamento = 100 M€;
- Objectivos:
• Triplicar número de habitantes;
• Aumento de receitas de IMI em 10M€/ano;
• Duplicar actividade económica.
- Prazo de execução: 4 anos.
- Financiamento: BEI – Banco Europeu de Investimento
Segundo conclusão do estudo realizado em 2006 pelo Comissariado para a Revitalização da Baixa-Chiado, face ao aumento de habitantes e actividade económica referido nos objectivos, o aumento de receitas do IMI, sustenta um financiamento de 100M€:
• Pay-back de 12 anos;
• Taxa juro anual de 5%.
- Descrição da proposta:
No sentido de criar condições lógicas para o investimento, salvaguardando o interesse público, será necessário dar resposta às questões relacionadas com:
1 – ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO (custo = 50M€)
Esta área de intervenção destina-se, fundamentalmente, a resolver os problemas relacionados com a pressão urbana que actualmente desqualifica a Baixa Pombalina, sendo por isso necessário devolver-lhe alguma atmosfera do Sec. XVIII.
As edificações e artérias da zona da Baixa são o primeiro exemplo mundial de um plano de urbanismo e como tal devem ser encaradas como um conjunto monumental de especial importância simbólica.
Sob este ponto de vista, a zona da Baixa Pombalina em conjunto com a Praça do Comércio, apresenta um enorme potencial turístico, comparável a cidades como Praga, Viena, Budapeste, Paris, etc, constituindo uma importante fonte de rendimento para a Cidade e para o País.
Neste contexto importava avançar com as seguintes medidas:
1.1 – Pedonalizar as ruas do Ouro e da Prata e criar zonas 30 Km/h nas restantes ruas (a intenção dessa medida é estabelecer uma ligação ao Chiado no sentido de valorizar e enobrecer a Baixa);
1.2 – Construção de 2 silos para estacionamento automóvel, de média dimensão, devidamente enquadrados no restante edificado, e retirar todo o estacionamento da superfície;
1.3 – Transferir o trânsito para a rua dos Fanqueiros e rua da Madalena;
1.4 – Proibir o trânsito de autocarros, uma vez que tem um grande impacto visual no espaço público;
1.5 – Limpar/pintar e remover equipamentos de todas as fachadas dos edifícios;
1.6 – Uniformizar toldos e publicidade de acordo com um projecto global.
2 – APOIO A PROJECTOS PARTICULARES (custo = 15M€)
Dado que as edificações da zona da Baixa Pombalina apresentam um sistema construtivo único, inovador e de grande dificuldade em proceder a alterações de compartimentação interior (de modo a responder às exigências actuais em termos de conforto), torna-se necessário envolver especialistas no assunto de forma a encontrar as soluções técnicas e cientificas mais adequadas.
Neste âmbito, importa também referir que, actualmente, muitas das edificações apresentam um elevado grau de alterações estruturais que adulteraram irreversivelmente as características estruturais iniciais, pelo que, é necessário definir quais as edificações que se podem ainda recuperar segundo o esquema estrutural Pombalino e quais as que, lamentavelmente, não.
Acresce ainda o facto, muito importante, que a atribuição de um potencial de recuperação das características estruturais iniciais, segundo o esquema Pombalino, apresenta-se como um ónus muito significativo a determinada edificação, uma vez que esse imóvel não terá a liberdade de soluções ao nível da compartimentação interior, comparativamente a outro que não apresente essa capacidade de recuperação.
Nesse sentido, é importante prever um sistema de compensação por se sustentar esse ónus, uma vez que, do ponto de vista histórico, essas características muito devem significar ao interesse nacional.
Os elementos de revestimento interior, como por exemplo, os painéis de azulejos do Sec. XVIII e os exteriores do Sec. XIX, também devem constituir um ónus ao imóvel, embora de grau inferior ao da conservação estrutural, também deveriam integrar o sistema de compensação referido.
No entanto, no que se refere aos azulejos exteriores do Sec. XIX, julgo que não se devia atribuir valor histórico significativo, sendo preferível, do ponto de vista da coerência histórica do conjunto edifícado, que o seu revestimento fosse em reboco, devolvendo a esses edifícios as características iniciais do Sec. XVIII .
Neste contexto importava avançar com as seguintes medidas:
2.1 – Criação de um organismo técnico/cientifico, ou reforço de um existente, composto por arquitectos, engenheiros e historiadores, para apoio específico na implementação dos projectos de reabilitação de particulares, com responsabilidade directa pela execução dos projectos referentes às alterações estruturais;
2. 2 – Fixar critérios claros nas intervenções de cada edifício de forma a atrair investidores, dando prioridade aos processos de enobrecimento urbano (lojas – âncora e habitação de qualidade).
3 – APOIO AO ARRENDAMENTO HABITACIONAL (custo = 35M€)
Para que o projecto de reabilitação urbana da Baixa Pombalina fosse de facto um sucesso do ponto de vista económico, era necessário despertar o interesse de investidores por um lado e de novos habitantes por outro.
Para isso, o processo de transformação da Baixa Pombalina, deve entender claramente os principais problemas que condicionam uma actividade de arrendamento urbano e encontrar soluções, que embora não resolvam totalmente esses problemas, pelo menos tem o mérito de mitigar os efeitos mais perniciosos do actual regime de arrendamento urbano.
Aqui as medidas devem ser corajosas, providas de um elevado rigor técnico, com o objectivos claros, garantir uma diversidade sócio-económica e de forma a serem também aproveitadas pelo comércio local.
Neste contexto importava avançar com as seguintes medidas:
3.1 – Introdução de complementos financeiros a fim de sustentar a diversidade etária e sócio-económica dos habitantes existentes, de acordo com a avaliação de assistentes sociais/sociólogos;
3.2 – Protocolo com o IHRU para apoio preferencial ao arrendamento jovem na Baixa;
3.3 – Constituição de um fundo de reserva, tipo seguro-renda, no sentido de apoiar os proprietários nas situações de incumprimento no pagamento de rendas dos inquilinos;
3.4 – Avaliação dos apoios financeiros a cargo de gestores profissionais com introdução de mecanismos que permitam avaliar o retorno dos mesmos.
CONCLUSÃO:
A intenção deste plano seria avançar definitivamente e irreversivelmente com a reabilitação urbana da Baixa Pombalina, com base nos valiosos estudos já realizados e na vontade politica para os concretizar.
Este plano seria então uma forma economicamente racional, objectiva e simples (sem ser simplista) de revitalizar e conservar o nosso património histórico com grande potencial turístico e significado simbólico, inserindo-o numa lógica de competição entre cidades capitais europeias.